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Nos últimos 30 anos através dos conceitos da genética de populações, várias metas foram alcançadas em relação às várias características de interesse econômico, como crescimento mais rápido, reprodução e carne de melhor qualidade. Apesar de todo esse ganho, a pecuária nacional ainda está em busca de melhores índices em termos de precocidade sexual e de terminação de carcaça. Enquanto nos Estados Unidos e na Europa o gado de corte está pronto para o abate com menos de dois anos de idade, no Brasil a média ainda é de 3,5 anos para que os animais atinjam o peso vivo ideal para abate, entre 240 e 330 kg. Isto porque 80% do rebanho brasileiro é composto por animais zebuínos, notavelmente menos precoces que os de origem européia. As fêmeas das raças zebu, em média, entram em reprodução em torno de 24 meses de idade enquanto as de origem européia o fazem com idade em torno de 14 meses. A oportunidade de utilização de fêmeas sexualmente mais precoces tem reflexo direto na eficiência, rentabilidade e competitividade da pecuária bovina nacional. Rebanhos detentores de elevada precocidade sexual e fertilidade possuem maior disponibilidade de animais, tanto para venda como para seleção, o que permite progressos genéticos mais elevados, maior quantidade de carne produzida e, conseqüentemente, maior lucratividade. No entanto, a redução da idade ao primeiro parto, resultante do aumento da precocidade sexual das fêmeas, parece ser o maior desafio para os criadores de gado zebu brasileiro. A grande esperança para o melhoramento mais eficaz e mais rápido das raças zebuínas, em especial a Nelore, está aliada aos resultados obtidos com a genética molecular, a qual vem se tornando cada vez mais comum nos centros de pesquisas.
Apesar de toda a polêmica envolvendo as técnicas de clonagem e de transferência de genes para a produção de indivíduos transgênicos, não devemos deixar de considerar todos os ganhos que já foram alcançados e, principalmente, aqueles que ainda podem ser alcançados com uso da biotecnologia na produção animal. A Embrapa, maior empresa de pesquisa agropecuária no Brasil, é pioneira nas pesquisas com plantas transgênicas e foi a primeira a lançar através da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, em 1986, uma planta modificada geneticamente. A Embrapa Gado de Corte está testando uma vacina recombinante contra o carrapato Boophilus microplus e na Embrapa Pecuária Sudeste estão sendo desenvolvidos inúmeros projetos com marcadores moleculares associados com características de interesse econômico para a bovinocultura de corte. Na região norte, a Embrapa Rondônia está montando um laboratório de biotecnologia onde serão desenvolvidos estudo com diagnóstico molecular da tristeza parasitária bovina (TBP), principal doença transmitida pelo carrapato do boi, e também sobre marcadores moleculares em raças zebuínas. Logo, o Brasil já possui recursos humanos e tecnológicos suficientes para melhorar os seus índices de produção de carne bovina, bem como resolver problemas graves de sanidade do rebanho e as ferramentas da biotecnologia podem ser grandes aliados para que esse objetivo seja alcançado o mais breve possível.

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